sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Udatsu, o símbolo de riqueza na era Edo, no Japão

Movida pela curiosidade de ver uma exposição, que até então conhecia através de fotos, fui até a cidade de Mino, em Gifu.
A curiosidade era conhecer a tradição do papel japonês, através da exposição "Mino Washi Akari Art", cujas fotos exibiam cenário lindíssimo de luminárias em um lugar bastante antigo.
Foi então que conheci uma outra cultura, bastante enriquecedora.

O passeio foi no ano passado - já tem 1 ano - e só estou postando hoje, para que os amigos que aqui visitam possam também conhecer o local, já que a exposição acontece neste final de semana.
O que quero compartilhar é sobre "udatsu".

No período Heian era denominado Udachi, mudou para Udatsu, sendo assim chamado até hoje.
As antigas construções do Japão - ainda existem muitas -  maioria geminadas, facilitavam com que o fogo espalhasse para a casa vizinha, quando os incêndios aconteciam.
Udatsu nada mais é que uma decoração contra incêndio, feita de azulejos, anexada ao telhado em antigas casas japonesas, ligadas nas extremidades para evitar a propagação do fogo de uma casa para outra.

O que eram apenas paredes preventivas tornaram-se símbolo de status, porque eram muito caras e só podiam ser feitam pelos proprietários dos imóveis.
Acima, Galeria Yamada.
Abaixo, Residência Kosaka.



Os comerciantes ricos locais competiam para projetar udatsu como símbolo de sua riqueza e requinte.



Udatsu deu origem à frase "Udatsu ga agaranai", que literalmente significa "incapaz de levantar udatsu". A expressão quer dizer que alguém não é ou não será bem sucedido. Desconhecedores do "udatsu" não entenderiam a expressão.

Ao longo do tempo, muitas dessas construções foram desaparecendo e Mino é onde hoje existe o maior número de udatsu.
Mino-cho é um bairro de Mino com muitas casas e lojas preservadas.

Cortina feita de papel, cuja matéria-prima é sua principal produção.
O banco leva decoração feita com papel.

Pra quem gosta de voltar no tempo, ao antigo Japão, este é o lugar.
Conhecendo udatsu de perto.















Udatsu em reforma.
A rua onde estão os antigos prédios é denominada "Udatsu no Agaru Machi Nami", nome que também deve-se à prosperidade da produção do papel.
Mino é conhecida há séculos pela produção de papel tradicional japonês. A produção continua viva até hoje, graças às amoreiras e às abundantes águas dos rios Nagara e Itadori.
A rua onde estão os antigos prédios é denominada "Udatsu no Agaru Machi Nami", nome que também deve-se à prosperidade da produção do papel.
A exposição é tão rica quanto este lugar. São milhares de expositores de várias partes do arquipélago como artistas, comerciantes de lanternas ou do papel washi e estudantes.
Sobre a exposição explico na próxima postagem.

Endereço:
〒501-3726 岐阜県美濃市加治屋町1959-1
Gifu-ken Mino-shi Kajiya-chō 1959 - 1

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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Emma, as placas de desejos do Japão

Quem circulou pelos templos ou santuários do Japão, e até mesmo pela net, já viu diversos modelos dessas placas de madeira que, a princípio, enfeitam e despertam curiosidades, mas muitos desconhecem o significado.
Essas placas tem origem xintoísta, também encontradas em templos budistas para escreverem desejos ou agradecimentos.
Emma é escrito com esses 2 ideogramas, kanji, 絵馬 , que significa placa de madeira. Separados, esses ideogramas tem signficados; o primeiro 絵 significa imagem e o segundo 馬 significa cavalo.
Emma surgiu de uma antiga lenda em que o cavalo era veículo dos deuses e, no período Nara, os cavalos eram doados aos santuários para pedir uma graça. Acreditavam que os deuses estariam mais propensos a ouvir orações e cumprir os desejos. Como os cavalos eram caros, passaram a oferecer imagens em madeira, argila ou papel.
Por isso, alguns templos ou santuários ainda exibem desenhos do cavalo nessas placas.
No período Muromachi surgiram placas com desenhos de outros animais, como raposas nos santuários com denominação Inari.
Hoje em dia é muito comum encontrar diversos tipos de desenhos nas placas e não existe uma regra, cada templo ou santuário faz a sua imagem - muitos deles inovadores - geralmente relacionada à dedicação e com a palavra 願意, que significa desejo.








Alguns templos ou santuários tem dedicação especial à família, crianças, saúde, fortuna, fertilidade, etc., além de outros, e decoram essas placas com a especialidade.
Por exemplo, o santuário Tagata, de Komaki, conhecido como Tagata Jinja, cuja dedicacão principal é a fertilidade, além de boa colheita, as placas tem desenhos de crianças ou do falo.
No Hakuto Jinja, Templo do Coelho Branco, o tema é o amor e fertilidade, simbolizadas pelo coelho.
No Santuário do Amor, em Gamagori, emma diferentes: são corações que se prendem com cadeados, simbolizando amor eterno.
Abaixo, uma forma diferente de pendurar emma.
Encontrei este painel de emma diferente em Nikko, as placas não expõem os nomes, pois ficam de lado.
Emma abaixo, com círculos vazados, espelhados
Emma da sorte? São do Manekineko, o gato da sorte
Em Tsushima Jinja, por ocasião do evento Shichigosan.
Nestas, escrevem-se pedidos para que as crianças cresçam saudáveis.
Esses são modelos tradicionais de emma, geralmente assim expostos.








As placas ficam penduradas em locais específicos em templos ou santuários até que o kami, ou deuses, recebam os pedidos.
Escrever em uma emma tem suas regras, não basta fazer o pedido apenas.
Os pedidos ou agradecimentos são escritos detrás da imagem. Até aí não há dúvida, óbvio.
Deve ser escrita em caneta de tinta preta permanente.
O desejo deve ser escrito de forma simples e educada.
Deve conter nome e endereço. Em alguns templos é possível proteger as informações pessoais com adesivos, mas ao que parece ninguém se preocupa com esse detalhe, embora nem todos coloquem.
Podem ser escritos vários desejos, porém recomenda-se escrever somente um, o mais importante.
Se o templo ou santuário que tenha dedicação especial a um desejo fique muito longe de sua casa, não tem problema, dedique suas orações e faça no mais próximo.
Porém, caso tenha a graça recebida, deixe o oreimairi (orei=gratidão, mairi=rezar) no templo ou santuário. Os japoneses costumam fazer o orei, ou agradecimento, uma forma de reconhecimento com dinheiro.
Orei pode ser traduzido como gratidão, agradecimento e também com presentes, geralmente dinheiro, para representar o agradecimento. O dinheiro deve ser colocado em envelope especial.
A venda das emma, assim como amuletos,  ajudam a manter templos ou santuários financeiramente.

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