terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

9 de fevereiro é o dia do fugu (baiacu), no Japão

Assim como diversas datas, este é mais um trocadilho.
Um dos pratos mais célebres e famosos do Japão, tem o seu dia.
Apesar da pronúncia da palavra "fuku" soar como roupa, através dos números 2 (Fu) e 9 (Ku), nasceu o dia do Fugu, criada pela Federação de Roupas de Shimonoseki, em 1980.

Fugu é o peixe baiacu, em português. Um peixe com propriedades venenosas letais que, através da bactéria tetrodotoxina causa morte por asfixia, se não for medicado a tempo. O fugu torna-se agente do tetrodotoxina por alimentar-se de animais que contem a bactéria. Com exceção da pele, o peixe é considerado venenoso.
A parte considerada mais saborosa é mais perigosa: o fígado.
Vi muitas notícias de mortes e internações causadas pelo consumo de baiacu, devido à falta de informações.
Para saber mais sobre o fugu, ou baiacu, leia na Wikipedia.

No Japão Antigo foi bastante consumido, sendo proibido e depois liberado, no período feudal.
Hoje em dia, no Japão, tudo é rigorosamente controlado, desde a pesca até a venda em mercados, obedecendo a leis e apresentando documentos oficiais para esse fim.
No Japão, a pesca do fugu é controlada rigorosamente, podendo ser realizada somente na época da desova.
Pesquisas e avanços tornaram o cultivo do fugu de forma mais segura - tendo locais conhecidos produzindo esses peixes não venenosos - , mesmo assim, por questão de segurança, o Imperador é proibido de consumir.
A preparação do fugu é rigorosamente controlada, não só no Japão, mas em diversas partes do mundo.
No Japão, desde 1958, chefs de restaurantes devem ter licença e capacitação, que incluem prova escrita, identificação de peixes, preparo e comer o peixe. O curso tem duração de 2 a 3 anos e poucos conseguem a aprovação.
Somente em 2012, os restaurantes puderam apresentar o fugu em seus cardápios.
O fugu é servido como sashimi ou chirinabe.
Experimentei um sashimi de fugu em um restaurante de Kyoto. O sabor? Se não fossem os temperos adicionados como shoyu, molho de soja, e gengibre ralado, não tem gosto de nada. Um prato de sashimi, como o da imagem, custa em torno de 2 a 3 mil ienes.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Neve e Iluminação de Inverno, Light Up, em Shirakawa-gō

Havia postado anteriormente sobre Shirakawa-go <<< (clique se ainda não leu, pois as regras e informações sobre a aldeia Ogimachi, Patrimônio Mundial estão lá), durante um passeio que fiz no outono de 2012. Poderia atualizar o post, mas como ficaria muito mais longo, devido às fotos, resolvi postar exclusivamente sobre a Iluminação de Inverno, Light Up, que acontece nos finais de semana do mês de janeiro.
Naquela época, o receio era enfrentar dificuldades em estrada de neve. 
No entanto, não há com o que se preocupar, desde que esteja equipado com pneus de neve.
Havia neve na estrada e nas paradas de autoestrada de Gifu. 
Mas Shirakawa-gō não estava tão frio como imaginei. O sol apareceu e não havia vento. Nevou na noite anterior e depois somente quando começou a iluminação noturna. 
A primeira vista da aldeia foi assim, coberta de neve.
O problema maior era o chão escorregadio.
Shirakawa estava muito concorrida, muitos turistas querendo apreciar a neve e principalmente a famosa Iluminação de Inverno.
Na imagem abaixo, área do estacionamento e onde fica o Centro de Informações Turísticas.
Endereço do Centro de Informações Turísticas e, portanto, do estacionamento: 
〒501-5627 岐阜県大野郡白川村荻町2495-3 
Gifu-ken Ōno-gun Shirakawa-mura Ogimachi 2495-3
Fone: 0576-96-1013



De alguns tetos, estalactites davam idéia do frio e neve do dia anterior. Felizmente, não ventava e o sol apareceu durante algumas horas.


Shirakawa Hachiman Jinja estava coberta de neve, poucas pessoas visitavam o santuário, por se localizar em uma área um pouco afastada.
O templo, localizado em uma área mais central, atraía pela neve e estalactites do pagode.
O pinheiro congelado não recebeu proteção do "yukitsuri" e ficou lindo.

Foi difícil, mas consegui fotografar os espantalhos e os bonecos de neve sem ninguém.

Rio Shokawa.
Não lembrei de dar zoom, como da outra vez, para mostrar o Monte Shiro, onde existe mirante. Mas já podia ver o grande número de pessoas aglomeradas para fotografar o evento. A seta azul indica a área frontal, onde comumente as pessoas fotografam a aldeia. No entanto, não foi permitido usar tripé (ainda bem) e os fotógrafos posicionaram seus tripés antecipadamente, um pouco mais ao lado, em dois espaços, indicados pelas setas vermelhas.
O horário da iluminação das casas acontece das 17h30m às 19h30m. Na aldeia, a iluminação segue até às 20 horas.
Almoçamos um sobá e donburi com carne de boi super macia deliciosos, em um restaurante da aldeia. 
No dia da iluminação não é permitido chegar de carro até ao Shiroyama, somente ônibus da linha são permitidos. Andando devagar leva 15 minutos.

Às 16 horas já havia um grande número de fotógrafos no local.
Os dois locais onde podiam usar tripé estava todo tomado e esse número aumentou muito mais.
A área já estava toda "reservada". No Japão, as pessoas tem a cultura de "reservar lugar" e os locais das melhores vistas estavam tomados por tripés.
Onde os tripés estavam, não era o melhor lugar, veja pela foto abaixo, não tem ângulo frontal.



Onde havia melhor ângulo para as casas, não podia usar tripé. Impossível dar zoom à noite, sem tripé. Portanto consegui uma imagem de celular. Para melhorar ou não, começou a nevar, exatamente quando as luzes começaram a acender.
Não foi fácil fazer as imagens através do Shiroyama.
Só depois fiquei sabendo que na Iluminação de ˆnverno, fica sempre super lotado. 
No caminho de volta, ainda consegui fazer uma imagem. E encontrava uma grande fila de pessoas que subiam ao monte.
Na aldeia, os holofotes deram vez à neve, para que aparecesse nas fotos.



Durante o dia, tudo foi muito tranquilo, apesar do grande número de turistas chineses que visitam o Japão. Embora seja especialmente para compras, devido ao tax-free, esta época do ano coincide com o Ano Novo Chinês, período em que aproveitam para fazer turismo.

Portanto, ficam dicas para quem for visitar e pretende fotografar a iluminação de inverno: escolha uma data que não coincida com o Ano Novo Chinês e chegue cedo, guardando lugar para fotografar à noite, no Shiroyama. 
No melhor ângulo, que fica de frente para as casas, não pode usar tripé, portanto, sem possibilidade de reservar lugar antecipadamente. 

Cheguei por volta das 16 horas e não tinha tanta gente esperando na área frontal para as casas, mas se quiser a primeira fila, deve chegar, pelo menos, antes das 15 horas, se tiver paciência de ficar em pé durante horas. Entrei na fila por volta das 16h30m, esperei a iluminação durante uma hora. Quando saí, a fila atrás era imensa. A área foi fechada com cordão, liberando entrada aos poucos.
Mesmo assim, na volta, por volta das 18h, um grande número de pessoas ainda estavam subindo para o Shiroyama. 
Enfim, de qualquer forma, nesses eventos é preciso muita paciência!

Endereço do vilarejo: 〒501-5627 岐阜県大野郡白川村荻町
Gifu ken Ōno-gun Shirakawa-Mura Ogimachi
Mapa 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Takayama, a "Pequena Quioto de Hida"

Takayama, Gifu, localizada na região montanhosa de Hida, é chamada de Hida Takayama para diferenciar de cidades homônimas.
A cidade é uma fusão antiga de duas cidades e diversos distritos.
"Hida no Shōkyōto", Little Kyoto, ou seja, Pequena Quioto de Hida, é um adjetivo de Takayama, por se tratar de uma cidade histórica e preservar a paisagem original do Japão.
Takayama faz parte dos Alpes japoneses, região de elevada quantidade de neve, considerada uma das mais pesadas. Como neva na maioria dos dias de inverno, conta com muitas estações de esqui próximas, não faltam resort e onsen - estações de águas termais - na área.
A carpintaria é uma tradição local. Além de muita história, clima de cidade antiga, a cidade conta com a arte e cultura dos artesãos tradicionais.
As ruas ao lado do rio Miya e em frente ao Takayama Jinya, todas as manhãs até ao meio-dia, se enchem de barracas.
Existem duas áreas da feirinha, os Mercados Matinais, uma ao lado do rio e outra em frente ao Jinya, que teve início cerca de 200 anos atrás.
Barracas de artesanatos com objetos feitos pelos artesãos e de flores, verduras, legumes, frutas, produzidos por  agricultores locais.
O torii - portal xintoísta - acima é de ferro e foi construído em 2002. É parte do santuário Sakurayama Hachiman, com altura de 20,45m.
O portal abaixo, de cipreste, com 10m de altura,  foi construído em 1973.
Sakurayama Hachiman Jinja
Palco de um dos três maiores festivais do Japão, na primavera e no outono, Sakurayama Hachiman Jinja recebe milhares de visitantes do Japão e do mundo.
Em diversas partes de Takayama, encontramos os locais onde ficam os carros alegóricos, na época do famoso Festival de Takayama. Cada carro alegórico é nomeado, com explicação no local.
Dentro da área do Santuário Sakurayama estão os museus Yatai Kaikan e Nikkoukan.
A entrada ao Yatai Kaikan custa 820円. 
O museu Takayama Matsuri Yatai Kaikan conta a história do Festival, com explicação dos carros alegóricos Yatai. Os carros alegóricos do festival são decorados por artesãos de Hida Takayama.
No Yatai Kaikan, 4 carros alegóricos são exibidos. No total são 11 carros, que são revezados nos meses de março, julho e novembro. Uma sacerdotisa do santuário acompanha para explicações em japonês. São fornecidos guias em áudio, em outros idiomas, especialmente em inglês.
Abaixo, Nikkoukan. Com o mesmo ingresso do Yatai Kaikan, pode-se visitar Nikkoukan.
Não havia dado conta do nome do salão se não tivesse conhecido o santuário >>> Tōshōgū, em Nikkō e reconhecido o "Nemurineko", "Símbolo da Paz" da cidade.
Neste salão estão réplicas de todas as áreas e salões de Tōshōgū  As réplicas são tão perfeitas, que até os 3 macacos esculpidos aparecem, podendo ser vistos através de um espelho.



As réplicas, construídas na era Taisho, foram feitas por 33 hábeis carpinteiros, em um período de 15 anos. Foram mostradas em diversas partes dos EUA e só 30 anos depois, no Japão. Ficou permanentemente no santuário Sakurayama, por vontade do proprietário.
Sanmachi, bairro histórico de Takayama, Furui Machi Nami.
Esta é uma área de preservação reconhecida como Construção Histórica Importante, com antigas casas, fábricas de saquê e comerciantes. Vale a pena fazer um passeio por lá. 

Ponte Nakabashi
À tarde, perto da ponte e do Jinya, barracas com muita comida típica, principalmente feita com carne bovina local.
Em Takayama, esses bonequinhos abaixo, estão em toda parte. Alguns contam a tradição também em inglês. Vale levar a lembrança típica de Hida Takayama: Sarubobo <<< clique para saber o significado.

Há uma vila de fontes termais chamada Okuhida, um conjunto de 5 onsen, por isso chamada Okuhida Onsengo, localizada abaixo dos Alpes, cercada de muita natureza.

Próximo está o Monte Norikura, um dos mais famosos, a 3026 metros acima do nível do mar. Norikura Skyline é uma via expressa que permite vistas fantásticas e só é possível chegar de ônibus ou taxi, pois veículos pessoais não são permitidos.

Hida no Sato é a aldeia onde estão localizadas as construções gassho-zukuri, em formato de mãos em oração, como em Shirakawa-go.

Existem muitas outras atrações em Takayama e valem visitas em qualquer época do ano, especialmente na primavera, época do florescimento das cerejeiras e no outono, pela transformação das folhas, quando acontecem os festivais. No inverno é muito visitada pela intensa neve e estações de esqui. 

O Festival na primavera é realizado nos dias 14 e 15 de abril e, no outono, nos dias 9 e 10 de outubro.