sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vestígios da Era Edo em Nagoya III: Arimatsu

Nagoya é vista, pelos turistas ou moradores, como uma cidade moderna. Com avenidas largas nas áreas centrais e nos principais distritos, a cidade que foi bastante destruída na guerra, ainda tem e preserva locais com construções da era Edo, onde algumas são parte do patrimônio de Nagoya e da província de Aichi.
Alguns desses lugares como Shikemichi, Shirakabe já mostrei aqui. Existe ainda Arimatsu, localizado em Midori-ku, conhecido pelo tingimento artesanal denominado shibori.
Arimatsu é de todos esses lugares, o que mais se espelha com a era Edo, com seus edifícios preservados, bem como a arte do local.
As ruas são tranquilas e o comércio fecha às 5h da tarde.
Em 1784, um grande incêndio queimou a maioria das casas de Arimatsu. 
As casas foram reconstruídas com paredes de gesso e telhados de areia e a maioria delas permanece até hoje, transformadas em bares, restaurantes, lojas, museu.


É um local onde se caminha pelos cenários típicos tradicionais e ainda aprecia a arte local, sempre exibida através de cortinas tingidas.

Até o prédio do correio mantém algumas características, inclusive com a pequena cortina tingida.
Como não havia terra suficiente para plantio em Arimatsu no período Edo, os comerciantes locais passaram a fabricar shibori, uma técnica de tingimento.
Shibori é o nome dado àquela arte em que se fazem nós para tingir uma determinada parte da roupa.
Arimatsu era ponto de parada obrigatório da estrada Tokaido, uma das 5 principais rodovias que floresceram no período Edo. Os comerciantes passaram a fabricar pequenas toalhas de mão como lembrancinhas.
A arte do shibori passou a ser a especialidade do local, atraindo turistas, o que levou à prosperidade.
Artistas famosos da época criaram estampas ukyioe, elevando ainda mais a fama do shibori.
E assim, a arte do shibori cresceu. Novas técnicas foram surgindo e hoje conta com mais de 10 tipos de tingimento, todas patenteadas.
Repare que o tecido é todo costurado para efetuar o tingimento. A incrível técnica mostra, na imagem acima, o tecido enrugado e, na imagem abaixo, o mesmo tecido, liso, depois de passado a ferro.
Desde as mais tradicionais peças até as mais atuais levam a técnica do shibori.
As diversas técnicas produzem incríveis estampas através do tingimento.


São lenços, echarpes, carteiras, prendedores de cabelo, roupas, incluindo quimono.
No museu é possível ver e executar a experiência do tingimento, através de reserva. As peças tingidas serão enviadas pelo correio cerca de 2 semanas depois, pois existe todo um processo.
O museu expõe itens do tingimento, vídeos informativos e conta com uma loja.
A construção abaixo, Residência Hattori, era a residência da família e também loja de atacado de tingimento, Igetaya. Construída no final da era Edo, com telhado kirizuma-zukuri, ou de 2 águas, com gesso branco estilo nurigome e acabamentos namako-kabe que permitem proteção a indêndios. Designada "Propriedade Cultural Tangível", em 1964, pela província de Aichi.
Outras residências como a Takeda House, abaixo, Oka e Kazuka são considerados "Tesouros Culturais" pela Prefeitura de Nagoya.

Outras construções seguindo estilos kirizuma zukuri, nurigome e acabamento namaki-kabe estão pela área.

Arimatsu foi designado distrito de preservação histórica de Nagoya, em 1984.
Todos os anos, no início de junho, é realizado o Arimatsu Shibori Matsuri, um festival que conta também com exposições e vendas de diversos produtos feitos artesanalmente.
O distrito Arimatsu fica ao lado da estação Arimatsu.
Endereço da estação: 〒458-0824 愛知県名古屋市緑区鳴海町字有松裏 45-1
Aichi-ken Nagoya-shi Midori-ku Narumi-chō ji Arimatsu Ura 45−1
De trem: Arimatsu Station, da linha Meitetsu. Seguir pelo lado oposto ao Aeon.
Mapa

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Domatsuri, o festival de dança cheio de beleza, performance, energia, cores e alegria

Nagoya ferve durante o verão japonês. Além de sediar grandes eventos como o torneio de sumô e o WCS, campeonato de cosplay, realiza, sempre no final do mês de agosto, o festival Domatsuri, desde 1999. 

Yosakoi, estilo que surgiu em Kochi, em 1954, é uma dança cuja característica principal é manter o naruko, uma espécie de castanhola, nas mãos.
A partir do Yosakoi de Kochi, surgiu o Yosakoi Soran, um festival realizado em Hokkaido, em 1992, com características semelhantes.
Domatsuri ou Domanaka, abreviado de Festival Nippon Domannaka Matsuri, é um dos maiores festivais de verão do Japão, além de ser o maior festival de dança da região central.
Domatsuri de Nagoya é um concurso de dança - realizado sempre no último final de semana de agosto, em 3 dias - que tem características semelhantes ao Yosakoi Soran de Hokkaido e surgiu a partir do desejo dos estudantes universitários em disseminar a emoção da dança para o Japão e outros países.
A dança deve ter música tradicional do folclore local.
No campeonato Domatsuri as regras são: o traje deve ser original japonês, trocado contínua e rapidamente durante a dança. 
As equipes tem feito as trocas artificialmente, ou seja, usam roupas dupla face - trocando e virando, as que estão vestidas ao sentar, ou retiram - ao ritmo da música ou simplesmente, desabotoando as roupas sobrepostas, ficando depois penduradas, como na foto acima.
Ainda como regra, os integrantes devem segurar o naruko enquanto dançam, mas podem estar às mãos outros instrumentos como leque, tambores, bandeiras ou wagasa, a sombrinha típica japonesa.

Festivais yosakoi existem em diversas partes do Japão.
O festival é um sucesso total. O campeonato, cujas danças tem regras, o que mais chama a atenção é a alegria dos participantes.
O festival que tem como palco principal o Parque Hisaya Odori em Sakae, um famoso point em Nagoya, acontece durante 3 dias, com apresentações das equipes sendo realizadas em diversos lugares, não só em Nagoya, como algumas cidades vizinhas.
Na playlist abaixo, alguma das melhores apresentações no primeiro dia, sexta-feira, no ano de 2014:


Vídeo compacto das apresentações acima, acesse aqui.
O local, além do palco de Hisaya odori, onde mais concentra curiosos é à frente da estação de Nagoya. 
Quase que simultaneamente, no terraço do Nagoya JR Tower Garden. 

Um resumo das apresentações, de 2014, em frente à estação de Nagoya:
E uma das mais bonitas apresentações, em frente à estação:

Na Ōtsudōri, os desfiles são realizados sábado e domingo, nos 2 lados da avenida.
Com direito a carros alegóricos e, claro, sempre muita alegria.


Outras cidades da região, bem como outros pontos em Nagoya, são contemplados com as bonitas apresentações, confira mapa e local aqui.
No domingo, campeonato final, as apresentações são ainda muito mais emocionantes.
Assista o vídeo de uma das apresentações:


Pra quem quer assistir com mais tranquilidade, poderá adquirir ingresso para as cadeiras numeradas.

domingo, 23 de agosto de 2015

Awa Odori, a dança de Awa

Agosto é o mês das danças no Japão.
Além dos tradicionais hanabi - queima de fogos de artifícios - verão é a temporada das danças no Japão. Através do bon-odori, originada de tradições milenares budistas, em que as danças serviam para espantar demônios ou maus espíritos, outros tipos foram surgindo. Hoje, diversos festivais ocorrem no arquipélago, seguindo antigas tradições.
Uma das famosas danças de verão é o Awa Odori

Awa Odori, ou dança Awa, originou-se em Tokushima.
Tokushima é a capital da província com o mesmo nome, localizado na ilha Shikoku.
A província de Tokushima era denominada Awa quando a dança surgiu.
É hoje um dos 3 principais festivais de danças do Japão, com uma história de 400 anos e que atrai milhares de espectadores.
Existem diversas lendas a respeito da origem da dança Awa que não podem ser descartadas, até pela performance. Uma delas justifica porque é chamada de dança do tolo.
Ao ritmo de tambor, flauta, shamisen, o que chama a atenção são os passos irregulares e muita energia. 
A graça da dança deve-se também a esses músicos que fazem de um único ritmo, verdadeiro show.
Existe toda uma harmonia no Awa Odori: música, músicos, homens, jovens e crianças dançando de uma única forma, complementada pela beleza e suavidade da dança feminina e os trajes.
Usando trajes  de verão e/ou happi, os homens dançam de forma diferente das mulheres; curvando o corpo com os joelhos para fora e desenhando triângulos, eles alternam os movimentos levantando braço e perna esquerdos para frente e, depois, cruzando fazem o mesmo movimento com braço e perna direitos.
Homens, mulheres, jovens e crianças dançam em grupos separados.
Com postura diferente, devido ao yukata - quimono de verão - as mulheres dançam elegantemente. Com as mãos para cima, movendo os pulsos graciosamente, equilibram-se nos gueta, na ponta dos pés.
O charme do traje feminino é o chapéu amigasa.
Awa Odori não é privilégio só de Tokushima, já faz parte da programação dos festivais de verão de todo o arquipélago. Um dos mais famosos festivais Awa Odori acontece nas ruas próximas à estação de Koenji, em Tóquio, no último fim de semana de agosto.
Awa Odori pode ser visto também em Nagoya no festival denominado "Hirokoji Natsu Matsuri". 
Assista às apresentações, além do desfile:




Além de diversas apresentações, a atração principal do Festival de Verão Hirokoji é o Awa Odori, cujo grupo chega a fazer, além do desfile, mais de 3 shows no evento, podendo ser visto diversas vezes durante o festival até à noite, com performances diferentes da tradicional, em livre estilo, porém sempre levando em conta o principal, os passos e a música com o refrão:
"Erai Yaccha  Erai Yaccha   YoiYoiYoi   Odoru Aho ni miru Aho no Awa odoru", "Tolos assistem tolos dançando".